sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Contágio

Faca de dois gumes. 
Isso é o amor. 
É como ver a morte do mundo à sua volta, e fazer-lhe o enterro... Do mundo todo!
Porque não vale a pena estar em outra companhia senão dele, do amor. 
O amor não nos deixa escolha, senão querê-lo, desejá-lo, caçá-lo.
E nessa jornada, todo o resto está a morrer... Quando acaba, caminhamos, corremos, fugimos para longe do enterro, do luto, mas ainda assim estamos a caçá-lo
Estamos a viver a morte de tudo, de cada paisagem vista antes dele, de cada cheiro que guardamos de outros, de cada lembrança confortadora de outrora, pra ver entrar em nós a figura desse amor
O amor quer ser único, indelével, ímpar.
E não há escolha senão aceitá-lo, mesmo nos detalhes desonrosos: possessão, invasão, força... e não haverá para onde fugir quando ele habitar até o mais íntimo de todos os nossos pensamentos! 
O amor é uma doença, quando julgamos nele ver a nossa cura. 
Pena que seja doença pelo qual vale a pena morrer.

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