quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Eu-não-espelho


Quanta ilusão guardam os que amam! Ilusão de eternidades, de serenidades, de certezas.
Ilusão de desejos fáceis, de verbos, de fatos.
Ilusão de ver-se no outro. Ilusão de achar-se no outro.
Esquecem, portanto, que amor é explosão, é revolta, é o medo do não haver.
E havendo tamanho sentimento, até onde se pode prever?
Amar é expor, expor-se: à recompensa ou ao castigo.
Recompensado, deleitar-se. Castigado, resignar-se.
O outro, no amor, não é bom, não é ruim, não é feio, não é belo, não é erro, não é acerto. É só outro.
Sendo outro, é outro ser. É outra ansiedade, outra dor, outra flor.
O outro é o componente fundamental do amor.
A resistência precisa do oposto.
O amor precisa do outro.
Não há amor sem amar. Não há amor sem dor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário