quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Era de ser

Não era hora, nem lugar para o amor;
Pelo menos não para os incautos.
Não era um ponto de espera, nem um porto seguro.
Era um ponto de passagens, paisagem para apreciar em outras viagens...
E lá estávamos nós, de prontidão, para a aventura que é viver plenamente
De peito aberto e mente insana, como sempre.
Sem compromisso com o relógio dos outros, fomos enganando as horas, do nosso próprio jeito de perder tempo
Não sabíamos bem o que queríamos dos nós, nem dos laços, e na sede daquele abraço, tudo ficou forte demais pra conseguirmos desatar.
Um fio invisível esteve a costurar-nos, laçando sonhos, atando espasmos, construindo um manto, que nos cobriu de encantos...
No tempo que se fez presente, dádivas, hojes infinitos, agoras eternos
Então vimos que era amor. Sem nomes, residências ou domicílios, fomos ficando, como filhos, aprendendo a criar, crias próprias, palavras a deslizar dentro de um peito novo, prontos para não voltar.
Na última solidão, demos as mãos, e embarcamos na nossa viagem de viver a definição do nosso indefinidamente mundo perfeito.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Pandora

Precipício, pressinto-te.
Pressiono a ferida aberta, ou a porta. 
Pedaços, pele, pano.
Pungência. 
Por quê? Para quê? Para onde?
Pressa. Predisposição para pagar pecados.
Pena. Pernas. Perigo:
Próximo dessas perdas, pedras.
Pálida perfídia,
Perversa paciência.
Parece paz, porra!
Padeço, placidamente e pareço pequena... 
Paraísos de profissionais,
Procissões rumo a purgatórios.
Perco-me em pedaços.
Pula essa parte.
Ponto.