sábado, 27 de junho de 2015

Tinto (a seco)

Eu bebi, 

Ele escorreu...
Escorreu-me pelos dedos, 
Foi a força, foi a fé, foi a dor...
Escorreu pela boca, 
Pelos poros, 
Pelos olhos.
Eu não, o sangue é que corria...
Galopava, fugia, me ardia.
Eu sim, ficava e derretia,
A descer, remoer, a verter... 
Esvaziei todas elas.
As garrafas, a alma, a vida.
Tanta coisa essa taça me trouxe, 
Tanto mais levou!
Quando ela veio, vieste...
Quando ela foi, me arrastou
Lentamente, me esvaio...
Tentando entender a razão,
Por que vens, como vais, 
Por que fico?

 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Dialética

Posse.
Carne.
Cerne.
Que cesse a razão, 
E iniciem os sentidos.
Todos os gemidos cabem na verve dessa pauta.
Sobram sonhos que não se ousa sonhar.
Entre fluidos e metais
Amores e ideais,
Labirintos e discursos, 
Segredos e mistérios
Minha gana e tua matéria.
Meu sangue que corre do que te escorre
Entre dentes e unhas, 
Máscaras e amarras.
Essa é a tese, eu sou tua antítese.
Somos a síntese.
Dou.
Recebo.
Nada disso é real.
Mas é fatal.