segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Morreste-me. Desamo-te

Morte dentro de mim. Morreste e não fui eu quem matou-te.
Impossível. Não. Não aceito. Não entendo. Não posso com isso.
Permiti que entrasses e só a mim caberia decidir até quando ficarias.
Mas se pedisses, deixava-te sair... Nunca foste prisioneiro dentro deste peito...
Decidiste-te pelo tipo de morte mais cruel, pouco a pouco matando todos os gestos que abriram meu peito, minando as palavras que puseram-te cá dentro, povoando de gente estranha o pensamento que alimentava-te de afeto...
Foi por pouco que não abortei-te: doía-me o ventre cada desejo que não me incluía...
Por fim, puseste fim: da agonia que sentias por fazeres parte de mim só resta a agonia que vela teu cadáver.
Aqui jaz o que senti por ti.
Morreste-me.
Mataste-te.
Enfim, desamo-te: podes morrer a vontade.

domingo, 15 de setembro de 2013

Plano de vôo

Plano de vôo 

A primeira vez que sonhei alto, sonhei com voar de avião. O dia que sonhei a sério, Deus chegava na terra vindo de avião. As primeiras viagens foram sempre muito simples. Depois vieram aquelas, de horas e horas a atravessar oceano, de um continente pra outro, que me fizeram pensar na coisa do "pra onde estou indo?". Desde então, atravessar oceanos me cansa. É um exercício involuntário pensar no futuro, até em pensar que pode não haver futuro! Sempre vem à tona decisões que tomei, decisões que tomarei, planos que desfiz, planos que não fiz, mas muito mais profundamente planos que vou fazer... Quem dera todos os meus planos  coubessem num único vôo, num único destino, num único corpo, numa única vida! 
Porque não cabem e isso me cansa! Escolher demais me cansa. Liberdade me cansa. 
Felicidade me cansa. 
Estar cansada é o que me cansa.