quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um dia chamei de (!)




Um dia chamei de sua, a ilusão que era minha, e então?!
Um dia chamei de amor, o compasso de uma dor, e então?!
Um dia chamei de minha, a casa que você tinha, e então?!
Veja lá bem o que seja, o que for pra nomear, classificar, designar...
Vou agora te contar o que mais chamei de...
Um dia chamei de paz, o que era só silêncio, e então?!
Um dia chamei liberdade, as grades da minha prisão, e então?!
Um dia chamei absoluto, e era muito relativo, e então?!
Resolvi chamar para mim, coisas que eu queria, enfim!
Chamei a solidão, e ela veio, pois então!
Chamei a felicidade, apareceu essa cidade!
E então, chamei você...

(Essa poesia é dedicada ao grande Lula Queiroga: o tema foi dado por ele, num encontro num hotel em Lisboa, antes do show do dia 23/02/2013)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tangerina, Mexerica, Clementina




Quando eu não sei o que dizer,
Quando eu não sei o que querer,
Eu penso nesse gosto, nesse sabor,
Que nem sei bem o que me dá,
Que nem sei que nome dar,
Que tem a ver com chá,
Que tem a ver com viver
Sem pausa, sem medo e sem dor
Acho que falo de mim, quando falo assim…
Não sei se é pelo paladar,
Talvez seja pela cor,
E pelo jeito que vai,
Posso dizer que é um tipo de amor:
Que nasce no pé da árvore de esquecer que tem fim.

(Clementina, para mim, Clementine
Eu sou Clementine. Já fui, serei!)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Abecedário



Amores, abraços, abrigos, ameixas, aliança, beijos, banhos, bandidos, batuques, batidas, corações, carcaças, carros, cabides, cicatrizes, dados, deuses, desejos, divórcio, destino, datas, dados, dardos, elefantes, enlace, entraves, facas, fraquezas, friezas, filhas, folia, ferias, feras, fatos, feridas, flores, fim, gatos, gastos, gelo, girando, hoje, hospital, idéias, ideais, ilusões, ir, jacarés, jantares, jamais, juntos, kilometros, kilogramas, liberdade, lealdade, livros, lenha, loucura, mãos, mapas, malas, mas, manta, maça, mãe, muito, navio, nunca, nada, não, ouvir, ódio, ontem, outono, outra, passado, pai, paixão, partir, pena, pequeno, possível, pouco, presente, quase, quando, quanto, razão, raiva, resto, rancor, saudade, saúde, sarcasmo, sentido, sinto, talvez, tudo, tanto, urgente, urro, um, vaidade, verdade, vem, vento, world, word, xadrez, yoga, zebra.

Palavras, minhas palavras.
Castigo que escolhi: sempre saber o que dizer. Pessoas inteiras dentro de cada uma dessas palavras, deslizam dentro de mim, se confundem comigo, ao mesmo tempo que não se parecem com nada que eu conheça.
Desconheço o descanso do esquecimento. Conheço o encanto  de nunca desistir.

Adeus, antes, ataque, barcos, branca, brinquedo, casa, caminho, cansaço, culpa, dádiva, dia, dúvida…
Sem fim.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dezesseis




É engraçada, mágica, lúdica, quase infantil a química do amor… Por mais que se tenha amado, por mais que se tenha vivido, é sempre como ter dezesseis outra vez… E toda aquela fórmula da qual se tem consciência, perde a materialidade. Tudo que se pode sentir é a angústia do minuto a seguir, como se nunca tivesse estado sozinho, nunca se tivesse magoado, nunca tivesse sofrido antes. E todo esse sofrer, todo esse desespero e tudo que esse momento furta, produz uma paz que é louca, um silêncio ensurdecedor, e a sensação é a de que essa sensação nos deixa mais sozinhos…
O amor repete uma vez… E depois repete, repete, mas é sempre único. E é como um vicio esse tremor que dá na alma, essa incerteza de que tudo passa (e passa!). Isso é meu e eu não lamento. Não tem cabimento achar que alguém pode viver sem saber o que é isso, sem entender ou participar,  não se deixar amar ou temer ser amado.
Essa é a magia de dezesseis: ter compromisso com o ar que falta, com a falta que faz não saber, não perceber. É querer ver tudo nublado no dia de sol, ter braços a pensar que são laços, um mar é pouco pra navegar… Voto por ter dezesseis todos os dias, ainda que essa angústia me consuma, ainda que me interpele trinta e duas vezes por dia, é vida que se sente pelos poros, é sentimento que corre pela veia; o coração não é só mais uma bomba, assume vida própria, autônoma, descontrolada e quanto mais audaz melhor.
Quem não teve dezesseis não viu sonho, nem fantasia, nem desengano, nem mais alegria, que ironia, eu diria! É preciso ter dezesseis várias vezes numa vida para que ela seja inteira. É preciso voar nessas asas de espaço sem fim, sem desconfiar que mais tarde vai cair… mas não tarda volta a voar!