sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Análise SWOT



Há alguns dias, tomei contato com uma ferramenta de gestão para planejamento estratégico de empresas que me encantou, chamada Análise SWOT. Consiste numa espécie de fórmula criada por dois professores de Harvard para medir, posicionar ou verificar a posição estratégica da empresa em um determinado ambiente. E o que isso tem a ver com a vida desmedida e desposicionada dessa que vos escreve? Exatamente tudo!!!!  Explico. A fórmula é muito simples e consiste em analisar sob o ponto do ambiente interno, a partir das coisas que a empresa pode controlar, as suas forças e suas fraquezas; e do ponto de vista externo, que não depende da empresa, as oportunidades e as ameaças. Ao aplicar essa fórmula numa determinada situação real, os resultados da análise foram tão esclarecedores que eu pensei imediatamente: todos os meus problemas estarão acabados se eu aplicar isso à minha vida!!

E lá fui eu, feliz e contente, colocar na ponta do lápis minha análise SWOT, começando por aquilo que eu controlo, minhas forças e fraquezas. É claro que tentei levar o método a risca e antes de mais nada, conceituar força. Força, segundo o Aurélio, é s.f. Toda causa capaz de agir, de produzir um efeito. A minha causa capaz de produzir um efeito é um tão sem número de coisas, mas decidi começar por ordem alfábetica, então, o AMOR é a primeira delas, que força maior haveria que meu amor pela vida, pelas pessoas, etc... Aproveitando dessa ordem alfabética, BELEZA, (pq não?? rsrsrsrsr), já que no mais das vezes, eu amo o belo, e, a partir daí a sequência incluiu coragem, emoção, fidelidade, lealdade, e parei, achei tudo isso pouco modesto (embora a modéstia ficou de fora da lista).

Agora, falar das fraquezas, que na minha interpretação do dicionário significa toda causa capaz de produzir um efeito contrário ao  desejado,  foi mais fácil, o dia não foi muito bem, e a lista começou com um ATRAPALHADA, seguiu com BARRAQUEIRA BRIGUENTA, capsciosa, descontrolada, dorminhoca, impulsiva, insolente, e chega de fraqueza, afinal, logo de cara a análise me colocou diante de um espelho muito cruel!

Mas prossegui, afinal era o caso de consertar a minha vida!! E a fórmula manda encontrar as oportunidades que eu, produto, posso proporcionar, lembrando que se trata de um ambiente externo, que eu não posso controlar, mas acho que posso oferecer: bons amigos, bons parentes (??), alguma cultura geral, tenho filhas lindas, o cara pode ser preso que talvez eu consiga soltar, entre outras cositas (gostei mais dessas!).

Segui para falar das ameaças e pensei sinceramente que a única ameaça possível, no campo amoroso, era o cara ser tão amado que o saco se enchesse, ou eu ser tão amada que o saco me enchesse, e no campo da amizade, da pessoa gostar de mim, e eu ser patética, e não cuidar da amizade (já aconteceu), ou eu gostar da pessoa e ela ser patética, ou a ameaça de eu gostar muito e a pessoa ter que se distanciar (isso aconteceu), e então, eu  parei!!!

Concluí pelo disparate da idéia de adaptar a minha vida a uma fórmula empresarial, ou qualquer outra fórmula que o valha, porque, na vida, tudo é muito mais improvável do que se possa imaginar!!!!  De repente, me dei conta que não é só por ser amável e inteligente que as pessoas serão amáveis e compreensivas consigo, e não é por ser desastrada que não vais ser uma ótima amiga; que ninguém vai se interessar por ti só porque teus amigos são muito legais, ninguém vai casar contigo só porque tua mãe é uma excelente cozinheira ; não é porque tu ama seus amigos que a vida vai dar um jeito de mante-los por perto; não é porque tu ama teus filhos que eles não serão submetidos a frustações, e por aí vai. A vida tem me provado, sem tabelas ou gráficos, que é muito melhor do parece, muito menos justa do que devia, e que não, de jeito nenhum, está sujeita a fórmulas, regras ou previsões. Análise SWOT, muito obrigada, foste mesmo útil, sinto-me muito mais aliviada por saber que as coisas são assim como são e não há nada que remediar. 




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Não volte

Gostava de confiar em ti. E não confio. Gostava de gostar de ti. E não gosto. Gostava de gostar de mim, e não gosto. Não porque desconfio, não desconfio! É de antes... Não porque não gosto, até gosto! É de antes! Ou de depois. De depois de ter confiado tanto, e não houve, depois de ter gostado tanto e não tido. Deixei de sentir coisas, e não deixei, só deixei de sentir coisas certas, imutáveis, confortáveis, amáveis. Hoje em dia, são as ruas que me atravessam, são as praças que passam por mim, a falta de lua me persegue, a tempestade que andava dentro de mim, escorreu pelos olhos e só o vazio ficou... 
Entro em mim com a ânsia de achar o que saiu... Entro demais e nunca me encontro... Já não quero sair, tanto faz! Fico aqui, em mim, até que eu me perdoe.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Rouba-me ontem

Ontem! Rouba-me ontem! 
É capaz até que Deus nos castigue se descobre que viemos ao mundo e estamos a esbanjar tais instantes! 
Hoje! Resgata-me antes! 
Antes que tudo passe, que essa vida escorra, que a inocência nos morra!
Esteja! Se faça presente! 
Preencha os espaços e não deixe que passe em branco, permita que nossos tons que se misturem! 
Passe por aqui, deixe um recado no muro, me roube um beijo no escuro, escreva uma carta de papel, façamos um roteiro, vamos planejar a lua de mel! 
Beija-me a pálpebra! Me faça ver através de seus olhos, partiremos no pôr do sol pra um lugar que nunca será triste!
Não há castigo pra quem sonha demais, só pra quem ama de menos. O que não sabemos explicar não se explica, mas o que sentimos, se multiplica sempre que a gente entrega o coração pra alguém cuidar.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Morreste-me. Desamo-te

Morte dentro de mim. Morreste e não fui eu quem matou-te.
Impossível. Não. Não aceito. Não entendo. Não posso com isso.
Permiti que entrasses e só a mim caberia decidir até quando ficarias.
Mas se pedisses, deixava-te sair... Nunca foste prisioneiro dentro deste peito...
Decidiste-te pelo tipo de morte mais cruel, pouco a pouco matando todos os gestos que abriram meu peito, minando as palavras que puseram-te cá dentro, povoando de gente estranha o pensamento que alimentava-te de afeto...
Foi por pouco que não abortei-te: doía-me o ventre cada desejo que não me incluía...
Por fim, puseste fim: da agonia que sentias por fazeres parte de mim só resta a agonia que vela teu cadáver.
Aqui jaz o que senti por ti.
Morreste-me.
Mataste-te.
Enfim, desamo-te: podes morrer a vontade.

domingo, 15 de setembro de 2013

Plano de vôo

Plano de vôo 

A primeira vez que sonhei alto, sonhei com voar de avião. O dia que sonhei a sério, Deus chegava na terra vindo de avião. As primeiras viagens foram sempre muito simples. Depois vieram aquelas, de horas e horas a atravessar oceano, de um continente pra outro, que me fizeram pensar na coisa do "pra onde estou indo?". Desde então, atravessar oceanos me cansa. É um exercício involuntário pensar no futuro, até em pensar que pode não haver futuro! Sempre vem à tona decisões que tomei, decisões que tomarei, planos que desfiz, planos que não fiz, mas muito mais profundamente planos que vou fazer... Quem dera todos os meus planos  coubessem num único vôo, num único destino, num único corpo, numa única vida! 
Porque não cabem e isso me cansa! Escolher demais me cansa. Liberdade me cansa. 
Felicidade me cansa. 
Estar cansada é o que me cansa. 



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Projeto Vista Grossa

De tempos em tempos, nossa percepção acerca das coisas muda, e as coisas continuam lá, a espera da nossa nova visão acerca delas. É um ciclo, e nos ciclos, tudo muda, infalivelmente. Pode até ser que essa mudança não seja radical, e talvez nem seja saudável que seja, mas o fato é que continuamente mudamos. Ultimamente, tenho me dedicado a um outro tipo de mudança, não da percepção (porque esta é involuntária), mas da atitude: estou firmemente empenhada num projeto (inspirada por Lenine), que se chama "vista grossa". Consiste em ações (ou omissões) muito simples, que aliam bem estar imediato, com efeitos muito significativos para o futuro, e se resume a deixar passar, para nunca além das vistas, tudo aquilo que é mágoa, ressentimento, frustação e outros inconvenientes. Significa olhar para as pessoas ignorando a parte delas que não me diz respeito, e ainda que me diga respeito, se não me agrada, também de outro modo não me afeta. A vista vai ver, mas não vou permitir que me afete o coração. Faz parte de mim acreditar nos bons sentimentos e nas ações conscienciosas. Faz parte de mim ignorar as coisas que me magoam, e espero que a partir de agora faça parte de mim ignorar as pessoas que igualmente não contribuem para que eu permaneça feliz!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ora, Seu Zé!


Olha, Seu Zé, vamos imaginar uma coisa, 
Daquelas que toda a gente gostava que acontecia um dia: 
Tu ter direito a um pedido, que lhe fosse sem perguntas nem acaso, totalmente concedido! 
Vamos imaginar que por uma ou por outra eu fosse essa guria, a tal guria escolhida pra passar por essa vida contando com tal regalia: 
Meu pedido um só seria, mesmo que muitos fossem possíveis [mas disso tu já sabias], e mesmo sendo um só, mais do que tudo me faria! 
Esse desejo, se fosse concedido, muito bem se pareceria com um domingo que chove devagarinho dentro da gente, sem ter hora pra acabar, 
Faria bem como viagem curta, faria borboletas no céu da boca, faria motivos pra viver a eternidade, faria bem como a promessa de liberdade, faria tudo ganhar colorido, faria da certeza um dom, faria nascer de todo sentimento um som... 
O pedido assim seria: ser amada sem medida, sem conta de nada, nem de ninguém, nem das tantas consequencias que toda ação sempre tem... Porque
de tanto que desejei soube agora [nem bem sei], que mesmo sendo impossível essa história de desejo concedido,  não tem nada de descabido gostar de acordar acompanhada de um sorriso, não tem nada de impossível desejar sempre ser bem quisto, não tem nada de imortal em desejar ser infinito, mas tudo vale de nada se tu não desejar o amor! 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Esse era pra ser sobre mim



Era pra ser sobre mim

No dia em que eu for alguém sem você,
Tudo que eu sei sobre essa pessoa nova que eu seria é que ela,
Riria de novas comédias,
Choraria outras tragédias,
Seria mais propícia!
Era pra dizer que esse novo alguém que eu seria…
É um alguém que sem você é alguém!
E esse alguém, é de outras modas,
De outros roteiristas,
De outras fés,
De outros protagonistas!
Mas chego a conclusão,
Que tudo que eu saberia dizer sobre esse alguém,
É que a única coisa que muda
É a falta de você.



terça-feira, 28 de maio de 2013

Sobre ele



Anjo cruel,
Sabe de tudo e não antecipa nada…
Fera comovente,
Devora o que vê pela frente,
Sem se dar conta do que é destruição.
Pintor descontente,
Transforma em cinza o colorido das minhas lembranças…
Escritor decadente,
Só deixa registros do que eu já tinha visto antes…
Maratonista de ocasião,
Corre por aí, descansa por aqui
Não sabe bem pra onde vai,
Quanto leva nas costas, quanto deixa por aí.
Errante professor:
Diz coisas que ninguém entende
E que podem nunca mesmo entender,
E que talvez eu não precise saber.
Ele só não deve ser santo,
Muito menos remédio…
Porque, tanto um, quanto o outro, uma hora dessas, curam,
E ele, só perpetua…


E eu teria paciência com ele, se tivesse tempo…

terça-feira, 7 de maio de 2013

Revolta dos Dândis



É uma tensão esquisita, uma dor quase física, como se o estômago, o fígado, os rins, e o resto do corpo entendessem as coisas melhor do que o próprio cérebro. Estou falando da diferença entre os sonhos e os planos que se concretizam, entre a vida que a gente vive e a vida que a gente conta, que é diferente da vida que a gente sente, que é diferente da vida que sente a gente...
Não estou falando de verdades e mentiras, de coisas ditas e não ditas, sim, porque, todo mundo mente, no mínimo 04 vezes por dia, e a mais comum delas é "está tudo bem", não, eu estou falando de coisas a gente nem se atreve a dizer, é mais aquela coisa frustrante que a gente sente quanto toca o despertador pela manhã e você acorda sem saber em que momento da sua vida você escolheu aquilo de modo consciente, é também aquela angústia que você sente quando percebe que vive numa sociedade que faz as mesmas coisas que você faz, mas não concorda, mas não se aceita, porque afinal, ninguém se aceita e tá tudo certo.
Estou falando de um conflito semi-orgânico entre viver e existir, saber e perceber, ser e estar. Estou falando da conclusão medíocre que eu chego de que no fundo somos todos iguais. Bem, nem todos. Alguns fedem menos.

(já dizia Humberto Gessinger: entre o fim do mundo e o fim do mês...)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

... durar uma noite ...








E de repente assim,
Me vejo a sonhar,
Com o impossível,
O indizível,
O invisível….
A esperançar com o que morreu,
A me maltratar,
A me sufocar,
A me matar…
A me ver te vendo aqui,
Aquele olhar,
Aquele adeus,
Aquele mar,
Eu achei que já tinha o vazio…
Mas não… Acabou, mas ainda me resta
Organizar o tempo que não passou,
Fazer qualquer coisa com o que ficou,
Amar o amor que não se tem,
Que nunca se terá,
Que talvez nem exista,
Mas que insiste em voltar.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Amor com outro nome


Não vinha de fora,
Não passava adiante
Não estava no tempo:
E era tão pulsante!

Corria do abraço,
Não parava de frente
Era feito cangaço
No medo da gente!

Ladrava ou latia
Olhava de longe
Com rabo de olho
Debaixo da ponte!

Fez tanta arruaça
Que levou o povo
A tomar cachaça!
E a chorar baixinho
Tamanha desgraça...

Todos tão inúteis
Diante do sem nome...
Sofreram tanto...
E talvez fosse fome!

quinta-feira, 28 de março de 2013

O quarto


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Descrição poética:
Aqui estão, as coisas com as quais convivo, o que respiro diariamente, as lembranças, as cores, os odores e dores… Vejo aquele brinco e me vêm à lembrança um sorriso, um momento, aquele momento em que você acidentalmente gira a cabeça a 90 , e encontra um olhar, e esse milesimo de segundo está guardado, no brinco! Vejo um sapato e lembro de quanto dancei, por onde caminhei… Vejo os óculos escuros e vejo: tudo de novo o que vi através dessas lentes… Sem falar nos livros… Quero lê-los, quero senti-los novamente, cada linha, cada frase, cada palavra composta dentro da minha imaginação a partir daquela história… Olho no espelho e me sinto viva!

Descrição realística (dentro do possível…)
Deus, como essa garrafa de vodka foi parar aí, perto dos livros? Onde raios está o outro brinco?? Como é que eu consegui dançar a noite inteira com esses sapatos? Um está mais torto que o outro!!!! Será que eu caí? MEU DEUS, acho que um cotovelo caiu dentro do meu olho!! Com violência!!!! Vou ter usar óculos escuros a semana toda!!!! Como é que vou ler todos os livros que tenho que ler para terminar meu relatório?? Estou horrível!!! Quero quebrar esse espelho!!!

Descrição mais do que realística:
Quem é que vai arrumar essa bagunça??!!!


segunda-feira, 18 de março de 2013

Tenho medo


Me dá teu colo
Me dá tua ternura
Me dá teu segredo
Me dá tua doçura,
Senão eu tenho medo…

Não me dê promessas
Não me dê consolo
Não me dê partidas
Não me dê adeus
Se não eu terei medo…

Não me peça perdão
Não me peça piedade
Não me peça realidade
Não me peça educação
Porque disso tenho medo…

Não quero a eternidade
Eu prefiro o infinito!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Carta para a felicidade



Talvez a senhora não se lembre de mim, afinal, fazia um tempo que não nos falávamos; a ser sincera, nem eu lembrava muito de ti. Acho que devemos nos apresentar novamente, já que a expectativa é que passemos um tempo juntas: você (me permita o tratamento pouco formal... rsrsrsr), ahhh, você não mudou muito: continua trazendo brilho para o meu olhar, batuques ocasionais no meu coração, e aquela vontade de sorrir o tempo todo, sem falar naquela certeza de que tudo vai ser sempre melhor, e sim, PAZ para o meu espírito! Quanto a mim, mudei um pouquinho: tenho agora cicatrizes naquele coração que sonhava com o amor, conheço agora outros amores (de mãe, de filha, de irmã, de amiga...), mas ainda trago em mim aquela menina destemida, só que agora munida de uma força tão grande, que se eu te contar o que eu tive que vencer para ter encontrar de novo, você nunca mais me deixava... mas também, se deixar, eu te encontro, não importa onde! Enfim, seja muito bem vinda de volta à minha vida!

Quando for passado




Quando for passado,
Vamos ter muito o que dizer,
Do que houve por bem fazer.
Estaremos já do outro lado
Olhando pra esses fatos
Como se tivesse sido fácil
E talvez tenha sido,
Assim que é!
Quando for passado,
A gente nem vai se dar conta,
Que um dia pensou que não tinha futuro.
Porque no nosso tempo,
Basta viver o agora.
Dá certo à vista,
Pode dar certo à prazo:
Com isso não se cria caso!
O amor é um presente,
Que só no futuro é que vira passado...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um dia chamei de (!)




Um dia chamei de sua, a ilusão que era minha, e então?!
Um dia chamei de amor, o compasso de uma dor, e então?!
Um dia chamei de minha, a casa que você tinha, e então?!
Veja lá bem o que seja, o que for pra nomear, classificar, designar...
Vou agora te contar o que mais chamei de...
Um dia chamei de paz, o que era só silêncio, e então?!
Um dia chamei liberdade, as grades da minha prisão, e então?!
Um dia chamei absoluto, e era muito relativo, e então?!
Resolvi chamar para mim, coisas que eu queria, enfim!
Chamei a solidão, e ela veio, pois então!
Chamei a felicidade, apareceu essa cidade!
E então, chamei você...

(Essa poesia é dedicada ao grande Lula Queiroga: o tema foi dado por ele, num encontro num hotel em Lisboa, antes do show do dia 23/02/2013)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tangerina, Mexerica, Clementina




Quando eu não sei o que dizer,
Quando eu não sei o que querer,
Eu penso nesse gosto, nesse sabor,
Que nem sei bem o que me dá,
Que nem sei que nome dar,
Que tem a ver com chá,
Que tem a ver com viver
Sem pausa, sem medo e sem dor
Acho que falo de mim, quando falo assim…
Não sei se é pelo paladar,
Talvez seja pela cor,
E pelo jeito que vai,
Posso dizer que é um tipo de amor:
Que nasce no pé da árvore de esquecer que tem fim.

(Clementina, para mim, Clementine
Eu sou Clementine. Já fui, serei!)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Abecedário



Amores, abraços, abrigos, ameixas, aliança, beijos, banhos, bandidos, batuques, batidas, corações, carcaças, carros, cabides, cicatrizes, dados, deuses, desejos, divórcio, destino, datas, dados, dardos, elefantes, enlace, entraves, facas, fraquezas, friezas, filhas, folia, ferias, feras, fatos, feridas, flores, fim, gatos, gastos, gelo, girando, hoje, hospital, idéias, ideais, ilusões, ir, jacarés, jantares, jamais, juntos, kilometros, kilogramas, liberdade, lealdade, livros, lenha, loucura, mãos, mapas, malas, mas, manta, maça, mãe, muito, navio, nunca, nada, não, ouvir, ódio, ontem, outono, outra, passado, pai, paixão, partir, pena, pequeno, possível, pouco, presente, quase, quando, quanto, razão, raiva, resto, rancor, saudade, saúde, sarcasmo, sentido, sinto, talvez, tudo, tanto, urgente, urro, um, vaidade, verdade, vem, vento, world, word, xadrez, yoga, zebra.

Palavras, minhas palavras.
Castigo que escolhi: sempre saber o que dizer. Pessoas inteiras dentro de cada uma dessas palavras, deslizam dentro de mim, se confundem comigo, ao mesmo tempo que não se parecem com nada que eu conheça.
Desconheço o descanso do esquecimento. Conheço o encanto  de nunca desistir.

Adeus, antes, ataque, barcos, branca, brinquedo, casa, caminho, cansaço, culpa, dádiva, dia, dúvida…
Sem fim.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dezesseis




É engraçada, mágica, lúdica, quase infantil a química do amor… Por mais que se tenha amado, por mais que se tenha vivido, é sempre como ter dezesseis outra vez… E toda aquela fórmula da qual se tem consciência, perde a materialidade. Tudo que se pode sentir é a angústia do minuto a seguir, como se nunca tivesse estado sozinho, nunca se tivesse magoado, nunca tivesse sofrido antes. E todo esse sofrer, todo esse desespero e tudo que esse momento furta, produz uma paz que é louca, um silêncio ensurdecedor, e a sensação é a de que essa sensação nos deixa mais sozinhos…
O amor repete uma vez… E depois repete, repete, mas é sempre único. E é como um vicio esse tremor que dá na alma, essa incerteza de que tudo passa (e passa!). Isso é meu e eu não lamento. Não tem cabimento achar que alguém pode viver sem saber o que é isso, sem entender ou participar,  não se deixar amar ou temer ser amado.
Essa é a magia de dezesseis: ter compromisso com o ar que falta, com a falta que faz não saber, não perceber. É querer ver tudo nublado no dia de sol, ter braços a pensar que são laços, um mar é pouco pra navegar… Voto por ter dezesseis todos os dias, ainda que essa angústia me consuma, ainda que me interpele trinta e duas vezes por dia, é vida que se sente pelos poros, é sentimento que corre pela veia; o coração não é só mais uma bomba, assume vida própria, autônoma, descontrolada e quanto mais audaz melhor.
Quem não teve dezesseis não viu sonho, nem fantasia, nem desengano, nem mais alegria, que ironia, eu diria! É preciso ter dezesseis várias vezes numa vida para que ela seja inteira. É preciso voar nessas asas de espaço sem fim, sem desconfiar que mais tarde vai cair… mas não tarda volta a voar!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Avesso de uma coragem



Avesso de uma coragem

O que sei que sinto quando penso em você?
É o avesso de uma coragem:
Eu que penso que me jogo pela vida,
Eu que penso que estou pra tudo nesse mundo
Pra dor e sabor, mas,
Penso que sei de mim pouco mais que você:
Que me não sabe,
Que não me vê,
Que não me pensa,
Que não me sente.
Quem sou eu além do que o que você não quer?
Sou a que teme a realidade das coisas,
A dor dos corações partidos
A que venera os sonhos,
As ilusões completas, os verdadeiros devaneios,
O som dos sinos, as músicas que nunca terminam,
Que se alimenta de amores imperfeitos.
Eu ando no escuro, eu sei…
porque assim posso conseguir ver qualquer lampejo de amor que seja;
Eu abri meu coração sem motivo aparente…
a tentar sentir você através das coisas.

E desde então, sigo procurando o que você está perdendo.